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domingo, 20 de julho de 2014

Amigo



Difícil querer definir amigo.

Amigo é quem te dá um pedacinho de chão quando é de terra firme que você precisa ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta.

Amigo é mais que ombro, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas.
É quem tentou e fez e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu.

É aquele que cede e não espera retorno porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer com você, já o realimenta, satisfaz. É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você.

É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência.
É aquele que entende seu desejo de voar, de divagar, a angústia pela compreensão dos acontecimentos e a sede do porvir.

É espelho que te reflete e óleo derramado sobre suas águas agitadas.

É quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia.
É o sol que seca suas lágrimas e o néctar que adoça ainda mais o seu sorriso.

Amigo é aquele que toca na sua ferida, acompanha suas vitórias, faz piada amenizando os problemas.
É quem tem medo, dor, náusea, cólica, gozo, igualzinho a você. É quem sabe ter história pra contar.

É quem sorri pra você sem motivo aparente, é quem sofre com o seu sofrimento, é o padrinho filosófico dos seus filhos. É o achar daquilo que você nem sabia que buscava.

Amigo é aquele que te lê em cartas esperadas ou não, pequenos bilhetes, mensagens eletrônicas emocionadas.

É aquele que te ouve ao telefone mesmo quando a ligação é caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se tivesse olhando em seus olhos.

Amigo é quem fala e ouve com o olhar, o seu e o dele em sintonia telepática.
É aquele que percebe em seus olhos os seus desejos, seus disfarces, seu medo, sua alegria.

É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir aquele tão esperado brilho em seu olhar, e é quem tem sempre uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos amplificam tristeza interior.

É lua nova, estrela mais brilhante, é luz que se renova a cada instante, com múltiplas e inesperadas cores que cabem todas na sua íris.

Amigo é aquele que diz eu te amo sem qualquer medo de má interpretação: amigo é quem te ama e ponto. É verdade e razão, sonho e sentimento.
Amigo é para sempre.


Já disse o poeta:

"E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivesse morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem os meus amigos. Até  mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências.
...E às vezes quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente construí, e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. [...]"


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

AQUELA SENSAÇÃO QUE SÓ BATE EM DEZEMBRO


Tive um sonho muito esquisito. Alguns sonhos são esquisitos, mas esse foi mais: todos os meus amigos tinham nome de mês. Junho, Julho, Outubro, Novembro. Os doze meses estavam ali representados, certinho. E por incrível que pareça, o que eu me dava melhor, era Dezembro. Agosto - mês do meu aniversário - ficava com ciúmes, mas isso não era algo que eu pudesse controlar. Dezembro sempre me compreendia mais, dava os melhores conselhos, me ouvia e quando eu tinha vontade de jogar tudo para o alto, ele vinha e me mostrava todas as coisas boas que tinham acontecido. Ele dizia que se olhasse dessa maneira, adquiriria forças para começar tudo novamente. E é justamente nesse momento que bate aquela sensação gostosa de que o ano, com todas as suas dificuldades, foi bom.

 Puxa vida, como foi bom!

Desde todas as coisas materiais – mesmo as mais fúteis – até as pessoas que entraram em nossas vidas. E mesmo as que saíram. As que voltaram e, principalmente, aquelas que nunca ousamos imaginar que voltariam.

No sonho, eu havia feito uma tabela para selecionar as melhores coisas que cada mês tinha oferecido. Dezembro não tinha nada. Ele apenas me ajudava a mensurar, agradecer e dar significação às lembranças. Cada detalhe das poucas oportunidades que tivemos de dividirmos a nossa vida, as alegrias, as coisas simples, a valorização dos amigos de todos os dias, o reencontro com os velhos amigos tão queridos e especiais, os sorrisos, as piadas, as recordações. Tem horas que ainda me pergunto quais eram as possibilidades de dar certo – e agradeço por ter dado. Algo que não imaginaria: reencontrá-los, do nada, numa cidade que não era mais a minha. Mas que mesmo assim fiz nela minha romaria.

Dezembro também fez questão de me felicitar por alguns esforços. Por eu ter deixado alguns confortos de lado pra fazer algumas pessoas felizes, pra me fazer feliz. Mas eu disse pra ele que mais que um compromisso com as pessoas, eu tinha um compromisso comigo mesma. E sempre vou ter: fazer por merecer as coisas que tenho vontade, junto com as pessoas que merecem. Dezembro achou bonito e quis ter sido Outubro. Só para ter vivido comigo a alegria plena que é um reencontro depois de mais de vinte e cinco anos, ser recepcionada da melhor maneira que existe, receber carinho, ser mimada, abraçar os amigos, beijá-los, declarar que os ama incondicionalmente e que apesar do tempo não foram esquecidos, ouvi-los atentamente, sorrir e chorar de felicidade, passar um final de semana admirando paisagens, sentindo frio e sendo aquecida pelo calor da amizade, comer uma pizza juntos e poder dizer em voz alta que em qualquer circunstância da vida eles continuam lindos, que são pessoas do bem e que tenho orgulho de cada um.


Mas, garanti para Dezembro, que no próximo ano ele estará regado de várias outras sensações como essa. Justo essa sensação que só bate em dezembro. Justo essa sensação que só depende da gente.

Dividir momentos como esses é tão bom que eu espero que se repita logo, que chegue a minha vez de fazer alguém feliz e que ao acordar a gente continue fazendo nossa romaria, para que no próximo Dezembro possamos nos sentir assim tendo feito parte disso mais uma vez.
O carinho que recebi ainda está comigo no cantinho do coração, as recordações de um caderno vêm me lembrar das saudades que sinto e, que não vão embora junto com esse ano.



sábado, 22 de dezembro de 2012

Correio de carinho


Como sempre faço todos os anos, saí para escolher o papel que seria usado na mensagem de Natal de minha lista de AMIGOS, lista essa que a cada ano cresce um pouquinho mais, o que me enche de alegria.
É quase uma espécie de ritual sair, escolher o papel, olhar suas cores e nuances, sentir sua textura e pensar na mensagem que caberá ali. Talvez por isso, grande parte daqueles que o recebe sinta-se feliz.

Sei exatamente o dia em que começam a ser entregues, pois é uma chuva de telefonemas de agradecimentos carregados de carinho, recebo e-mails e mensagens de todas as partes para ler e ouvir pessoas tão queridas, que muitas vezes nem nos comunicamos ao longo do ano por envolvermo-nos na correria do dia a dia atribulado, mas que por outro lado, não esquecemos, sabemos que estão lá, que nutrimos especial carinho e devotamos a mesma amizade, independente do tempo, da distância, da localização geográfica.

Este foi um ano atípico pra mim, normalmente, no máximo até o dia 5 de dezembro posto meus cartões nos Correios (método que já está quase extinto) – atrasei-me e só os postei no dia 14, correndo o risco de não chegarem a tempo, mas como os deuses das correspondências me ajudaram, creio que quase todos já tenham recebido.

Das várias mensagens que recebi uma me dizia assim: “A coisa mais gostosa do mundo é chegar em casa e ter um envelope com seu nome me esperando! ...quem ainda manda cartões de fim de ano pelo correio? Nossa, muito especial!”... E eu digo:

Eu ainda mando cartão de final de ano pelos Correios e, não é só isso, ainda mando cartas, cartões de aniversário, enfim, mando o que puder porque acredito sinceramente, que precisamos nos fazer presentes de alguma maneira que não seja o corriqueiro que se tornou o nosso mundo virtual. É uma forma de dizermos a quem tanto gostamos; “olha, mesmo com todas as outras facilidades que a vida moderna nos traz, eu parei, me lembrei de você de uma maneira especial”.

Acredito, sinceramente, que os pequenos gestos podem fazer alguma diferença e, nesse nosso mundo tão atribulado fazer a diferença, já é alguma coisa!

Meus cartões antes de serem enviados, espero que cheguem ao seu destino carregado de ternura, sempre!