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terça-feira, 19 de abril de 2011

INVOCAÇÃO



Grande Espírito, 
já que procurei entender a voz do vento e o sopro que me criou escuta-me:
Eu venho a Ti como um dos teus numerosos filhos.
Sou falível e pequeno; preciso de Tua sabedoria e Tua força.
Ensina-me a confiar em meu coração; em minha mente; em minha intuição; 
em minha sabedoria; nos sentidos do meu corpo e nas bênçãos do meu espírito.
Deixa-me audaz na Tua beleza e faz com que meus olhos sempre percebam 
o vermelho e o púrpura do entardecer.
Faz com que minhas mãos respeitem as coisas que criaste
e que meus ouvidos consigam entender a Tua voz.
Faz-me sábio de modo que eu possa absorver o que ensinaste a meu povo 
e aprender as lições que escondeste em cada folha e em cada rochedo.
Ensina-me a confiar nessas coisas, 
para que eu possa entrar no meu Espaço Sagrado e amar muito além do medo 
e assim caminhar na beleza com o passo do glorioso Sol.
Eu Te peço força e sabedoria para não ser superior aos meus irmãos, 
mas para que eu possa vencer meu maior inimigo: Eu Mesmo.
Assim, meu espírito poderá retornar a Ti, livre.

Prece dos Índios Ojibwa 



quarta-feira, 13 de abril de 2011

AMIGA, IRMÃ DE ALMA



Tenho amigas muito antigas, recentes, surpreendentes, mágicas, superficiais, momentâneas, definitivas e conclusivas. Comunico-me com todas elas conforme dá, na correria do dia a dia quando estão disponíveis ou, mais ou menos. Há fases e fases! Pelo tom de voz ou muitas vezes pelas letras digitadas já sinto algo e quase sempre sinto que acerto. Logo entro na vida delas sem cerimônia, fazendo perguntas, procurando motivos, traçando linhas para entender o panorama dos acontecimentos. Procuro dividir emoções, somar sentimentos e compaixão, multiplicar conhecimentos sobre a vida prática e teórica e às vezes, me pego subtraindo energias e tristezas. Resultado: nós somos uma só!

Quando desatinamos a rir é pura magia! Como somos divertidas! Vemos como podemos ser descontroladas, patéticas, bobinhas, neuróticas, infantis e algumas vezes até maduras demais... podemos nos soltar nos problemas que os dramas se minimizam, tudo fica passível de graça. E que são problemas, medos e vergonhas se não a graça divina do aprimoramento? Parece que minha alma é a relação direta com as amigas porque elas contêm o melhor de mim.

Aqui neste mesmo Blog já brindei à amizade algumas vezes e, volta e meia retorno ao assunto porque sempre tenho motivos para tal. Já escrevi também sobre uma amiga em especial, minha irmã gêmea Áurea, motivo desse post que muito me encheu de orgulho na semana passada – mais precisamente no dia 6 quando defendeu seu mestrado de forma brilhante. O que mais me alegra é ter participado desse momento e ter presenciado sua defesa porque sei o quanto foi trabalhosa e o quanto exigiu de sua dedicação em tempo integral – sabemos que dedicação requer esforços hercúleos na maioria das vezes. Significa abrir mão de comodidades, convívio com a família e amigos, noites sem dormir e...



Essa é Áurea, advogada competente, amiga delicada, dedicada e sensível, humana, divertida, bem humorada, leve, descomplicada, inteligente, são muitos os adjetivos para irmã de alma que muito me orgulha todos os dias em tê-la presente em minha vida, sempre. Assim, vamos caminhando num processo contínuo de aprimoramento do ser, assim, ela me ensina e mostra que a felicidade é atingir a verdade como ponto fundamental e lá encontrar o genuíno, sem maquiagens, sem retoques, sem autoengano e me faz compreender que somos muito mais do que a soma de nossas partes. Ela me mostra que só assim é possível encontrar o sublime, um sentimento vivo que nos coloca acima de nós mesmos, eliminando qualquer vulgaridade ou alegria fugaz e, nesse estado de exaltação, entendo que nada precisa ser acrescentado, apenas é necessário aprimorar o melhor de nós mesmos.


Meu Cunhadão Guto e Áurea
Minha Irmã, creio que quando uma ligação é profunda e poderosa, vive para sempre em algum lugar muito além das palavras e é de uma beleza indescritível, por isso, só quero dizer que te amo, muito!



segunda-feira, 4 de abril de 2011


Antes
nunca tinha percebido
como vivem
os vivos
aflitos 
na escuridão
esquecidos
da lição básica,
física, necessária
de viver...

Para amar a vida
para viver

Lição antiga
chamada 
de círculo
viciado.

Levei muito tempo para
sentir quem eu sou e
saber que o mundo
não vai virar de cabeça
para baixo se eu fracassar
ou não for bem sucedida.

Eu sou apenas eu
e tenho o direito de
olhar em volta se tiver 
vontade.
E eu estou olhando em
volta.

domingo, 27 de março de 2011


Num sonho agitado
mal dormido
me vejo indo 
te ver partindo
grito - só
te chamo
surpreso 
você me vê
vem vindo 
saindo da multidão feliz
que vai embora com você.

Tive medo
do seu medo
meu gesto ficou tolhido
na consciência
do meu ato impulsivo
de te ver partindo
no íntimo
recentes antigas
ativas formas
demonstrativas
de amar.

Você não podia ter ido
o que nem começou
hoje é findo
e o sonho continua
eu decido
me despeço
finjo que me vou
você escapa
pela escada
se, sem olhar
para o atrás que me traz 
você na descida
te olho de longe
te vejo distorcido
não sei se mais amigo
ou amor doído
me desprezo, desespero 
por nada ter dito
nessa despedida sem adeus
você levanta voo
te vejo cada vez mais longe de mim
mais perto da sua vida
de novo te espero?

Se tudo ficará na lembrança,
por que meus olhos ardem?

Hoje fui olhar o céu
me surpreendi
vi brilhos de espelhos
reflexos de luzes apagadas
formando nuvens apagadas
formando nuvens
separando no escuro
aumentando a distância
entre eu e você
sem pergunta de futuro
sabendo que amanhã
será nada.

Não me iludo
está chegando o dia
de curtir folia
de perder de vez
um querer ter
desenterrar
de uma vez
o colorido de viver

À tua espera
de forma sincera
à cada novo amanhecer.

Minha voz se solta de repente
meu canto ecoa
simplesmente
sem compromisso
choro alto o meu grito
canto longe o meu pranto.

Chego mais perto
o meu manto
envolvo o pescoço
o ventre
devolvo a paz
ao seu lugar
na hora da passagem colorida 
do entardecer
sei o que vai acontecer
me reconheço
me acho
me perco
me ajudo
me venço
me agradeço
me renovo
continuo
recomeço.