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segunda-feira, 4 de abril de 2011


Antes
nunca tinha percebido
como vivem
os vivos
aflitos 
na escuridão
esquecidos
da lição básica,
física, necessária
de viver...

Para amar a vida
para viver

Lição antiga
chamada 
de círculo
viciado.

Levei muito tempo para
sentir quem eu sou e
saber que o mundo
não vai virar de cabeça
para baixo se eu fracassar
ou não for bem sucedida.

Eu sou apenas eu
e tenho o direito de
olhar em volta se tiver 
vontade.
E eu estou olhando em
volta.

domingo, 27 de março de 2011


Num sonho agitado
mal dormido
me vejo indo 
te ver partindo
grito - só
te chamo
surpreso 
você me vê
vem vindo 
saindo da multidão feliz
que vai embora com você.

Tive medo
do seu medo
meu gesto ficou tolhido
na consciência
do meu ato impulsivo
de te ver partindo
no íntimo
recentes antigas
ativas formas
demonstrativas
de amar.

Você não podia ter ido
o que nem começou
hoje é findo
e o sonho continua
eu decido
me despeço
finjo que me vou
você escapa
pela escada
se, sem olhar
para o atrás que me traz 
você na descida
te olho de longe
te vejo distorcido
não sei se mais amigo
ou amor doído
me desprezo, desespero 
por nada ter dito
nessa despedida sem adeus
você levanta voo
te vejo cada vez mais longe de mim
mais perto da sua vida
de novo te espero?

Se tudo ficará na lembrança,
por que meus olhos ardem?

Hoje fui olhar o céu
me surpreendi
vi brilhos de espelhos
reflexos de luzes apagadas
formando nuvens apagadas
formando nuvens
separando no escuro
aumentando a distância
entre eu e você
sem pergunta de futuro
sabendo que amanhã
será nada.

Não me iludo
está chegando o dia
de curtir folia
de perder de vez
um querer ter
desenterrar
de uma vez
o colorido de viver

À tua espera
de forma sincera
à cada novo amanhecer.

Minha voz se solta de repente
meu canto ecoa
simplesmente
sem compromisso
choro alto o meu grito
canto longe o meu pranto.

Chego mais perto
o meu manto
envolvo o pescoço
o ventre
devolvo a paz
ao seu lugar
na hora da passagem colorida 
do entardecer
sei o que vai acontecer
me reconheço
me acho
me perco
me ajudo
me venço
me agradeço
me renovo
continuo
recomeço.

segunda-feira, 21 de março de 2011

FELIZ ANO NOVO!



O Equinócio de Outono traz a transição entre o signo de Peixes, o último do Zodíaco, e Áries, o primeiro. Os raios do Sol incidem nos hemisférios Norte e Sul de forma igual (daí o nome “equinócio”) e o dia e a noite se equilibram, tendo 12 horas cada. Este momento de harmonia na Natureza, que dá fim ao Inverno no Norte e ao Verão no Sul, marca o Ano Novo Zodiacal. É como se fosse um réveillon astrológico, ideal para você começar uma nova fase com o pé direito

Apesar de um grande número de pessoas não ter mais uma experiência profunda do ciclo da Natureza e dos detalhes envolvendo o cotidiano a cada estação em especial, como acontecia no passado, o Equinócio de Outono/Ano Novo Zodiacal tem uma importância cósmica enorme, porque a Natureza renasce, o Norte e o Sul do planeta se equivalem energeticamente e a vida se renova.

Quando estamos verdadeiramente conectados ao ciclo cósmico da Natureza, Peixes - o último signo do Zodíaco - revela toda a profundidade emocional e espiritual de completar a jornada através dos doze signos, capaz de levar as pessoas a uma nova percepção de si mesmas e da realidade que as cerca: a um novo ciclo de vida, enfim. Representando a culminância de experiências complexas, Peixes evidencia o término de mais um ciclo após 12 meses.

Áries, o primeiro da série zodiacal, é o signo que marca a luta pela vida através da sobrevivência biológica. Nele, a alma ainda está envolvida com a necessidade de se afirmar no reino da Natureza, encarando e vencendo as intempéries. A transição para o novo ano pede que você absorva tudo o que viveu nos últimos 12 meses, faça um balanço, jogue fora o que não precisa mais, renove as suas energias físicas e psíquicas e estabeleça novas metas para o próximo ciclo.

Faça e planeje o novo/diferente. As mudanças estão aí e desejam acontecer! Feliz Ano Novo!

BETHÂNIA E AS PALAVRAS



Olho de Lince 
Quem fala que sou esquisita hermética
É porque não dou sopa estou sempre elétrica
Nada que se aproxima nada me é estranho
Fulano sicrano e beltrano
Seja pedra seja planta seja bicho seja humano
Quando quero saber o que ocorre a minha volta
Ligo a tomada abro a janela escancaro a porta
Experimento tudo nunca me iludo
Quero crer no que vem por ao beco escuro
Me iludo passado presente futuro
Revir na palma da mão o dado
Presente futuro passado
Tudo sentir de todas as maneiras
É a chave de ouro do meu jogo
De minha mais alta razão
Na sequência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão.

Maria Bethânia Viana Telles Veloso é o nome dela, aos sessenta e quatro anos de idade e quarenta e seis de carreira, ela é hoje um clássico da música popular brasileira, já foi elevada ao patamar de grandes nomes da música mundial como Edith Piaf, Nina Simone e Ella Fitzgerald. Recentemente, foi condecorada com a honraria do mérito da "Ordem do Desassossego" que tem como intuito premiar e valorizar os esforços de pessoas ou entidades na divulgação da obra do poeta português Fernando Pessoa e, ela foi considerada a maior divulgadora da obra do poeta no Brasil.

 Bethânia já não cabe apenas nos rótulos de romântica, brejeira ou artista de massa, dessa maneira, chegou a Belo Horizonte esse final de semana para lançar seu novo projeto “Bethânia e as Palavras” que teve início aqui mesmo em 2009, quando a convite da professora e doutora em estudos literários da UFMG Lúcia Castelo Branco, participou do Ciclo Sentimentos do Mundo.
  
É preciso dar-lhe o crédito necessário, afinal, poucos artistas têm a ousadia e confiança para se lançar num projeto como esse, porém, Maria Bethânia além de dar voz às canções, sempre as carregou de poesia, que, aliás, tem como sua marca registrada, interpretações  e leituras de textos durantes seus shows, o que costuma levar a platéia ao êxtase.

Dessa vez, não foi um show como seu público está acostumado a ver, mas como ela mesma fez questão de ressaltar um “exercício de delicadeza”, e cá para nós, quanta delicadeza! Acompanhada de seu fiel escudeiro, o violonista e maestro, Jaime Além e o percursionista Carlos César, em uma hora e vinte minutos, Bethânia – a Majestade – brindou seus súditos com a delicadeza de textos impecavelmente selecionados, alternando leitura e música, além de arrancar lágrimas de uma platéia emocionada e sensibilizada pelo encantamento da voz das sereias que ela tanto gosta.

O espetáculo se desenvolveu sob o signo da sensibilidade, da forte vontade de causar encantamento nas pessoas de forma direta. Sem conceitos fortemente intrincados, o público viu sua estrela brilhar mais próxima da terra. Bethânia afagou a platéia, ofereceu momentos de fruição, ela conseguiu – e consegue – silenciar o teatro para que todos ouçam e apreendam o que de novo, belo e intimista tem a apresentar. Há um sertão nos harpejos da viola. Um luar esquecido a brilhar dentro e fora do teatro.

Em outros tempos escrevi: Bethânia maximiza fatos. Eu creio em fatos... Cantei, gesticulei, busquei adjetivos novos, mas não encontrei. Inscrevi novamente a palavra devoção no nome dela...  Aqui, reescrevo essa mesma devoção renovada. Saí do teatro com a lua a brilhar no céu e esparramar encantamentos e magias, saí de alma lavada e perfumada pelo exercício de delicadeza de Minha Deusa a completar minhas tarefas diárias. Agora repito a mesma pergunta de tempos atrás nas palavras de nosso saudoso Gonzaguinha: “E a vida o que é diga lá, meu irmão?” Não dando mais para segurar, o coração, literalmente, explodiu...