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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

UMA FLOR


Desabrocha.
Não importa onde
Abre suas pétalas pequeninas,
harmoniosas, silenciosas
não têm pressa de ser.
 
Na simplicidade do desabrochar,
desprende toda sua energia
mágica beleza natural,
de um ser tão pequeno
dentro do Universo.
 
Mas que mostra de um modo tão singular
seu potencial, seu perfume, sua cor, sua forma,
tudo tão pleno
é apenas uma flor trazendo
dentro de si a essência do Criador.
 
De suas sementes germinarão
novas plantas que crescerão, florescerão
serão uma nova flor,
simplesmente uma bela flor.
 
Cumpre-se assim a roda de ser,
no giro da ciranda da vida
no vai e vem do tempo,
infinito que não se apaga, se eterniza.
 

terça-feira, 7 de setembro de 2010

INDEPENDÊNCIA

        
          O Horário Político Brasileiro é um espetáculo estarrecedor, paro em frente à TV entre incrédula e chocada.
          Sabemos que não é de hoje que tais espetáculos acontecem, porém, a cada eleição a coisa só faz piorar e o que mais me incomoda, é saber que muitos desses candidatos ainda conseguem votos quando não deveriam nem pleitear a um cargo público. Não sou radical, porém, sou da opinião de que para se pleitear uma vaga a um cargo político, deveria ao menos existir critérios, assim como existem para se realizar uma prova de concurso público e também existem critérios para candidatar-se a qualquer vaga em qualquer empresa. E não vale dizer que sim, existem critérios, que ser alfabetizado - alfabetizado aqui quer dizer saber assinar o nome - ser maior de vinte e um anos, ter filiação partidária, que isso não dá para engolir.
          Minha indignação torna-se maior quando percebo que conseguir se eleger tornou-se sinônimo de bom salário – leia-se aqui; salário ganho sem nenhum esforço ou ainda bastando marcar presença, trabalhar dois ou três dias na semana, ter à disposição um gabinete com assessor, secretários, ajuda de custo para comprar terno, auxílio moradia, passagens aéreas, carro com motorista e mais um sem números de “vantagens” - despesas pagas com nosso dinheiro.
            O fato é: enquanto achamos graça de candidatos como Tiricas, Marcelinhos, mulheres Pêra, Melancia e a feira toda, acreditando que não é possível que figuras como estas possam ganhar uma eleição porque não têm chance alguma, quando na verdade, eles não só conseguem ganhar como nossos legítimos representantes, como usufruem do nosso dinheiro numa boa, enquanto a gente continua achar graça - talvez da nossa própria incompetência. Não podemos ser tão omissos, porque se eles assim se apresentam, é com nossa permissão.
          No dia de hoje em que o 188º aniversário da proclamação de Independência de Portugal é comemorado ou festejado, me pergunto se temos motivos reais para comemorações...
          Precisamos, de fato, de Independência!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A ARTE DE SER LEVE


O título da postagem de hoje é para falar do novo livro de Leila Ferreira, essa pessoa encantadora e de sorriso vasto.

Se antes eu gostava dela como entrevistadora do programa Leila Entrevista agora, gosto mais. Há quase dois anos tive a sorte grande de conhecê-la através do meu trabalho na Árvore de Comunicação e posso garantir que ela é mesmo apaixonante.

Seu primeiro livro leva o nome do antigo programa da TV, onde de forma bem humorada nos conta sobre os bastidores de algumas das muitas entrevistas que realizou, as loucuras e as saias justas desses bastidores para conseguir levar ao ar o programa. O segundo livro intitulado Mulheres Por Que Será Que Elas...? não perde o tom do bom humor e aprofunda nesse nosso vasto universo feminino que é uma loucura e visto sob a ótica que nos é apresentado, somos capazes de esquecer o mundo ao redor na hora em que estamos lendo. Aliás, o livro é tão bacana que para mim virou símbolo de qualquer data que significasse presentear e o mais legal – não tem quem não goste. No círculo das amigas o título foi tão bem aceito que virou uma espécie de corrente ou vírus e funciona assim; eu o dei de presente para uma amiga que gostou tanto que resolveu presentear uma outra, como a outra que ganhou (e também adorou) tinha um aniversário achou que seria um presente e tanto e assim vai caminhando até hoje. As histórias são tão divertidas que acabaram virando tema das conversas na roda de amigas, desculpa para o papo ficar ainda melhor, arrancar risadas deliciosas e aparecer mais casos engraçados. Muitas vezes choramos de tanto rir com as ilustrações feitas por Leila e a coisa mais interessante nisso tudo, é que através das histórias vamos nos dando conta de que precisamos refletir para não ficarmos mais insanas do que já somos habitualmente.


 
Chega às livrarias o mais novo título de Leila – A arte de ser leve, que trata do que ela considera fundamental: Gentileza, Bom Humor, Leveza. Leila viaja por esse país afora dando palestras, tratando desses temas como quem lança sementes para quem sabe, ver suas sementes florescerem na esperança de termos um lugar melhor para vivermos. Como vivemos um tempo em que tudo é para ontem, as pessoas andam se esquecendo de pequenas atitudes ou gestos de delicadeza que acabam ficando relegados a segundo plano. “O estresse virou desculpa para tudo, até para o que não tem desculpa”, diz e arremata: “As pessoas estão tão preocupadas em consumir chá verde, ração humana, fazer longas caminhadas diárias para não engordarem e acabam esquecendo que o espírito está adquirindo uma obesidade mórbida por conta de tanto mau humor, tanto egoísmo e tanta falta de educação”.

No lançamento do livro feito através do projeto Sempre Um Papo na noite do último dia 10 de agosto, Leila disse não considerar que seu livro seja uma receita, ela não tem a menor intenção de ensinar a qualquer pessoa como se tornar mais leve, diz ainda que persegue o desejo de se tornar uma pessoa assim e nos mostra através de suas narrativas (leves), que nem tudo está perdido. Há um pequeno detalhe nisso tudo, mas é mínimo mesmo, Leila é perfeccionista, dedicada e incansável em sua preocupação com os temas da tríade  gentileza, bom humor e  leveza, vai disseminando-os por onde passa, é a sua bandeira. Não só na teoria, mas na prática que é o fundamental - sim, Leila é das pessoas mais educadas, gentis, bem humoradas e encantadoras que já tive a oportunidade de conhecer – se isso não for leveza precisarei de uma nova definição.

Para quem perdeu o lançamento de A arte de ser leve pelo Sempre Um Papo, poderá conferir toda a simpatia da Leila de perto. É que amanhã – 25/08 – ela estará autografando seu novo livro na livraria Leitura do Shooping Cidade a partir das 19h.
Foto: Gabriel Araújo

domingo, 25 de julho de 2010

CURRICULUM LATTES


I – Dados Pessoais:
Meu nome é Otimismo.
Tenho a idade necessária pra saber distinguir quando alguém quer comprar meus princípios mesmo quando eu não os queira vender. Mas isso não me oprime, nem me deixa tolhida.
Sou uma mulher de palha: quando chove fico flexível; quando o sol esquenta o meu dia, fico seca e rígida; e me dobro apodrecida quando chega a noite eterna.
Isso, porque apodrecer faz bem a alma!
Sou otimista – digo – acredito no mundo e nas pessoas.
Acredito também que, apesar da conveniência atual me levar a dizer isso, o meu cerne não fica corrompido.
 

II – Área de Atuação:
Minha área de atuação é a alma humana, mas também pode ser o coração ou o espírito. Não tenho restrições. Sou a chamada Malabarista de Plantão!
Não que eu seja pedante! (Na verdade o que me importa é o trabalho. Por isso quero mentir! Mentir deslavadamente! Mas sem me corromper, insisto). Procuro me informar. Também me mantenho informatizada e falo as línguas estrangeiras de cada indivíduo em particular.
Estou personalizada, configurada, mas não ajustada ao sistema. Minhas impressões digitais mudam como as cores do camaleão. Sou uma peça de quebra-cabeças que se encaixa em qualquer lugar.


III – Formação:
Na maior parte das vezes sou autodidata. A solidão me ensina muita coisa, me revela mundos!
Tenho uma vasta formação acadêmica que faz de minh’alma anêmica, uma sublime alma. Precipito-me sempre em erudição no solo erodido do meu coração, pra ir ter com as trevas – a luz.
Sei de tanta coisa!... que as mantenho esquecidas no escuro.
Na universidade, uni meus versos sem idade e descobri a ignorância.
Desenvolvi a arte de mentir melhor, enganar com palavras e a fazer trocadilhos irritantes. (Dever também se aprende).
Saí com um curriculum vitae em latim dos cachorros e caí num grande mercado turco – o mundo.
A depressão parece ser endêmica, isso porque a vi somente em meus companheiros que se importam com os resultados dos quatro anos de labuta e descontentamento.
 

IV – Experiência Profissional:
Tenho experiência com sistemas operacionais que excluíram meus desejos e ambições. Vendo produtos que sugam a essência da alma e do espírito humano para dentro das máquinas, das placas e cartazes de propaganda.
Também já manipulei opiniões e vendi mentiras, não as minhas mentiras, o que é muito pior!
As falsidades que vendi furtaram minha dignidade, hoje minha alma corrupta arrasta em silêncio as correntes da minha escravidão. Entrego-me.
Minha vontade está à venda nas esquinas. O mundo prostituto violou minhas esperanças.
A Política a qual tive a experiência de namorar, tornou-se uma cafetina depravada e sem escrúpulos.
Tenho experiência com máquinas, mas ainda não me tornei uma, resta-me o sangue e a carne em meio aos meus fios e parafusos, resta-me o suor.


V – Atividades Extra-Curriculares:
Faço trabalhos voluntários numa pedreira, marretando palavras como pedras duras. O sol infernal frita as imagens em meu cérebro, imagens que me espetam o coração e molham versos nos lábios dos meus anjos mudos e vazios.
 

VI – Assinatura:
Assino o meu nome embaixo de tudo que leve sinceridade e descanso a sepultura. De tudo o que deva ser a verdade sem demagogia; meu epitáfio não será um poema ilustre, nem uma frase de emoção ou impacto n’alma. Será apenas um digno “adeus” aos que Amo, seguido de meu nome:
Algo que não importa.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Todos os Amigos

         

          Hoje, data em que se comemora o “Dia do Amigo” quero dedicar este post a todos os amigos que possuo.

          Vinicius de Moraes certa feita assim escreveu: “Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles...”, assim também sinto.

          Os amigos já foram homenageados em belas canções, além disso, foram cantados em prosa e verso, eu mesma tenho um post neste Blog dedicado ao tema, Oscar Wilde, na sua genialidade também já brindou a amizade escrevendo sobre o mesmo tema uma das coisas que considero mais lindas, inspirado talvez pelo valor de uma bela relação desse tipo.

          Creio na importância de declarar nosso amor para as pessoas que amamos e esse texto tem essa intenção. Tenho muitos amigos e todos são especiais à sua maneira, o fato é: sem meus amigos estaria perdida, amo cada um deles.

          Tenho uma amiga que nos consideramos irmãs – e somos irmãs de alma – costumamos dizer que somos gêmeas, podemos ficar um tempão longe uma da outra, mas quando nos encontramos o diálogo é retomado como se tivéssemos estado juntas ontem, sem contar que sempre sabemos como a outra está. Às vezes ficamos até muito tempo sem ao menos falarmos ao telefone, mas, quando bate aquela saudade que não dá mais para segurar, sempre damos um jeitinho de driblar a correria que o dia-a-dia nos impõe para nos ver.

          Há amigos que são nosso porto seguro e minha “irmã gêmea” é o meu, ela nunca me faltou. Lembro-me bem do primeiro encontro que tivemos: ela com um nariz vermelho de tanto chorar a morte de seu cachorro e eu perguntando o que tinha acontecido. Reconhecemos-nos logo de cara e ela é o tipo de pessoa que escolhi para fazer parte de minha vida. Já rimos muito juntas, também já choramos, porque a vida é feita dessas coisas, compartilhamos momentos marcantes da vida uma da outra, nossa relação foi construída assim, nesse cotidiano atribulado como é o da maioria das pessoas. Vibramos com as conquistas uma da outra, brindamos nossas alegrias, choramos nossas tristezas, enfim, sempre compartilhamos o que acontece em nossas vidas. Somos presentes uma para outra. A conversa é sempre cheia de carinho: “Não estou suportando mais de saudades de você. Quando podemos nos ver?” Às vezes, o “você sabe que eu te amo?”, vem depois de uma conversa banal ao telefone ou no final de um e-mail trocado, noutras, é olho no olho. Há momentos em que palavras são dispensadas: basta o abraço forte em que somos capazes de ouvir o coração e os olhos se enchem de lágrimas.

          Minha “irmã gêmea” me conhece como poucos, me compreende sem que eu precise pedir, ela lê minha alma, talvez por isso, tenha escrito esse texto em homenagem ao dia do amigo, inspirada em uma amizade que me estimula a expressar para os outros amigos o amor que sinto por eles e dizer o quanto são importantes.

          Que todos os amigos sintam-se abraçados, beijados, acarinhados e mais uma vez digo: UM BRINDE A AMIZADE!